A iniciativa causou forte repercussão nos bastidores políticos por partir de um parlamentar filiado ao mesmo partido do prefeito e historicamente alinhado à gestão. A CPI está diretamente relacionada ao pedido de impeachment apresentado no início de janeiro pelo vereador Eduardo Moura (Novo), que aponta possíveis crimes de responsabilidade e improbidade administrativa.
No centro da controvérsia está uma nomeação no concurso público para o cargo de Procurador do Município. De acordo com a denúncia protocolada na Câmara Municipal do Recife, a Prefeitura teria descumprido a ordem de classificação e as normas específicas que regem as vagas reservadas a pessoas com deficiência.
O documento sustenta que um candidato originalmente classificado na 63ª posição da ampla concorrência teria sido reposicionado para o primeiro lugar na lista de cotas, contrariando pareceres técnicos e princípios constitucionais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
A assinatura de um vereador da base governista no pedido de CPI amplia o desgaste político da gestão João Campos e expõe fissuras internas no PSB no âmbito municipal. Caso a comissão seja instalada, o prefeito poderá enfrentar uma investigação com potencial de gerar desdobramentos políticos e jurídicos relevantes, elevando ainda mais a pressão sobre o Executivo recifense.
Nos bastidores, o episódio já é interpretado como um sinal de enfraquecimento da articulação política do governo na Câmara e como um fato novo que pode influenciar os próximos passos do pedido de impeachment.
