domingo, 28 de dezembro de 2025

Casal de turistas é agredido por alguns barraqueiros em Porto de Galinhas e episódio expõe falhas na gestão Carlos Santana

 

Um episódio de violência envolvendo um casal de turistas de Mato Grosso, em Porto de Galinhas, no litoral de Pernambuco, trouxe à tona uma série de denúncias recorrentes sobre cobranças abusivas por parte de alguns barraqueiros, além da ausência de fiscalização, guarda municipal e atendimento humanizado aos visitantes e moradores da localidade. O caso coloca em xeque a gestão do prefeito de Ipojuca, Carlos Santana, diante de problemas que há anos são alvo de reclamações.

Segundo relato das vítimas, a agressão ocorreu após uma divergência relacionada à cobrança pelo uso de cadeiras de praia. Johnny, um dos turistas, afirmou que a situação rapidamente saiu do controle e gerou momentos de pânico.

“Eu vi a morte na nossa frente”, relatou.

Cobrança abusiva e agressão

De acordo com Johnny, ainda ao chegar à praia, um barraqueiro se aproximou oferecendo o serviço:

“Ainda descendo próximo das barracas, um cara já veio e abordou a gente querendo oferecer o serviço dele. Ele ofereceu o valor das cadeiras por R$ 50 e disse que, se a gente consumisse os petiscos dele, a gente não ia pagar o valor das cadeiras e da barraca.”

O casal permaneceu no local e consumiu duas águas de coco. No entanto, ao pedir a conta, no fim da tarde, o valor cobrado foi alterado de forma inesperada.

“Era umas quatro horas da tarde quando a gente pediu a nossa conta. Aí ele falou: ‘eu vi que vocês não consumiram o petisco, então agora eu vou cobrar R$ 80 da cadeira de vocês’”, contou Johnny.

Ao questionar a mudança no valor e se recusar a pagar os R$ 80, Johnny afirma que foi agredido logo em seguida.

Falta de atendimento e ausência de ambulância

Após as agressões, o casal recebeu ajuda de guarda-vidas civis, que os retiraram do local e os conduziram até a Delegacia de Porto de Galinhas. No entanto, mesmo feridos, não houve oferta de ambulância ou apoio da gestão pública para o atendimento médico.

“O salva-vidas levou a gente para a delegacia e pediu para a gente descer. Aí o escrivão só nos ouviu. A gente contou o que tinha acontecido e como a gente estava machucado, eles falaram: ‘olha, vocês precisam ir para o hospital, mas a gente não consegue levar vocês para o hospital’”, relatou.

Sem alternativa, o casal precisou arcar com o próprio deslocamento.

“A gente pediu um Uber e foi para o hospital de Porto de Galinhas.”

Na unidade de saúde local, outro problema foi identificado.

“O médico informou que seria necessário realizar exames de imagem, mas que o local não possuía o equipamento, sendo preciso o deslocamento até o hospital de Ipojuca”, afirmou Johnny.

Situação recorrente e críticas à gestão municipal

O caso reacende um alerta sobre uma situação crítica frequentemente denunciada por turistas e moradores: cobranças irregulares nas praias, falta de fiscalização efetiva, ausência da Guarda Municipal e deficiência no atendimento de saúde e segurança em um dos principais destinos turísticos do Brasil.

A violência sofrida pelo casal não apenas mancha a imagem de Porto de Galinhas, como também expõe falhas graves na condução da política turística e de segurança pública do município de Ipojuca, colocando a gestão do prefeito Carlos Santana sob forte questionamento.

Até o momento, não houve posicionamento oficial da prefeitura sobre o ocorrido.

Imagem: Rede Social